domingo, 24 de janeiro de 2010

Haiti

Estava viajando quando ouvi as primeiras notícias sobre o Haiti. Depois escrevo um pouco sobre a viagem de carro de Maceió ao sudeste do Brasil. Enfim, a desgraça que vive o país é evidente, em torno de 100 mil mortos, muitos desabrigados. Desgraça maior não poderia haver em um país dos mais pobres, a depender do critério que se utilize para se entender o que isso é. O que chama atenção é uma disputa entre dois países na prestação de "ajuda" àquelas pessoas. O Brasil se estabeleceu no Haiti há alguns anos, e vem tentando incrementar o seu imperialismo em nome da ONU e da ajuda humanitária. Chico estava certo ao dizer que a vocação do Brasil era se tornar um imenso Portugal, e estamos vendo isso acontecer em primeira mão. Pois os Estados Unidos tentam protagonizar o papel que fora exercido nos últimos anos por nosso país naquele território. Com mais recursos e experiência em dominações desse tipo, será difícil para o nosso país barrar a entrada políticas dos americanos naquele país. Muitos argumentam que essa disputa é absurda, e que os dois países só deviam se preocupar em ajudar, mas essa visão inocente não prevalece diante da realidade da política externa que cada país pretende desenvolver. O Haiti era o modelo de sucesso que o Brasil queria para mostrar ao mundo a sua capacidade de liderança e o seu apego pela paz. O infortúnio do terremoto criou uma janela de exposição ainda maior que os Estados Unidos não viram com bons olhos e tentaram impedir reafirmando o seu poder nas Américas.
Espero que esta disputa aumente as ajudas oferecidas à população que pelos noticiários ainda se mostra insuficiente de todas as formas. O desenvolvimento pelo qual o Brasil passou nos últimos anos diminuiu a pobreza ao ponto nós observarmos a pobreza daquela país como algo distante de nós. Será que o Haiti não é mais aqui?

4 comentários:

Ana Cecília Dantas disse...

Hoje estava conversando exatamente sobre isso e sobre a forma como o Brasil vem lidando com as demarcações dos EUA. A conclusão que chego é de embora o governo Lula tenha lá os seus diversos pontos de vulnerabilidade, nossa política externa anda praticamente impecável!

Pra o pretendido, claro...

GEORGE SARMENTO disse...

Basile,

Parabéns pela análise lúcida sobre o papel do Brasil no Haiti. Por trás da tragédia que se abateu sobre àquele povo sofrido, existe uma forte disputa política em nível diplomático. Acho que é legítimo que o Brasil aspire a liderança da América Latina. Isto não é novidade. Está em nossa Constituição. Mas espero que os fundamentos sejam diferentes do modelo imperialista e colonialista imposto ao longo do tempo pelos Estados Unidos, França e Inglaterra aos países periféricos. Quem sabe possamos inaugurar uma era de solidariedade e respeito aos direitos humanos no Haiti. Posso estar sendo excessivamente otimista, mas acho que a missão brasileira tem sido muito bem sucedida. Agora, o que não podemos é esconder a miséria de grande parcela de brasileiros, obrigados a viver abaixo da linha da pobreza, sem políticas públicas eficientes que possam tirá-los dessa lamentável situação. Afinal, o Brasil é um país pleno de contradições...
Forte abraço
George

Yguaratã C. Cavalcanti disse...

Por pouco não postamos no mesmo momento: http://yguarata.com/blog/. Bom, aí no meu blog tem minha opínião do que se passa sobre esse tema.

Eu acho um otimismo exagerado achar que o Brasil vai resolver o problema do Haiti, já que nem os nossos conseguimos resolver. Aquilo ali tá mais pra campanha mesmo, e todo mundo quer...

Basile disse...

Obrigado pelos comentários. Fico muito feliz com as concordâncias e discordãncias. De lado os exageros que podem ser feitos num tema tão polêmico, espero que a intervenção comandada pelo Brasil naquele país seja humanitária como aparenta ter sido até agora, mesmo que os motivos que levem a isso sejam outros. Acho que Obama se arrepende hoje de ter dito que Lula era "o cara", mas nós somos aprendizes do que eles fazem há muito tempo.

Abraços a todos, especialmente, Cecília, George e Yguaratã.