quarta-feira, 1 de julho de 2009

Decepção com a Seleção Brasileira

Assisti ao jogo do Brasil na final com os Estados Unidos, um jogo certamente histórico, no Bar Vinícius, na Rua Vinícius de Moraes, na cidade do Rio de Janeiro. Tudo conspirava para a vitória e para uma tarde maravilhosa no Rio. No entanto os dois primeiros gols me fizeram desanimar e pregar numa derrota para os estadunidenses. Felizmente, mostrando a força que os espanhóis não tiveram, e provando que estávamos melhores do que eles, vencemos a partida com quase 4 gols marcados no segundo tempo.
No entanto, algo me deixou triste. Ao ver a comemoração dos jogadores, percebi que muitos deles usavam por debaixo dos uniformes camisas com dizeres em inglês afirmando um amor por jesus ou que pertenciam à deus. Eles, naquele momento, estavam representando o Estado Brasileiro, tanto é que chamamos o jogo do Brasil! E o Estado Brasileiro é laico, ou seja, não possui nenhuma religião específica. O que aconteceria, por exemplo, como disse o jornalista Ricardo Acampora, citado por Juca Kfouri, se algum jogador usasse uma camisa com os dizeres: "Eu não acredito em Deus", ou "Essa vitória foi obtida graças ao esforço dos jogadores sem nenhuma interferência divina ou sobrenatural"?
Os jogadores realmente pareciam que estavam no meio de uma pregação religiosa e estavam querendo mais do que demonstrar sua fé, estavam mesmo era querendo convencer as pessoas de que sua fé deve ser seguida, e isso eu não aceito. Acredito que as pessoas devem escolher suas religiões livremente, e esses jogadores não podem utilizar-se desse espaço, que em verdade não os pertence, mas ao Brasil inteiro, para manifestar coletivamente uma opinião religiosa. Da mesma forma, se há algum jogador que não acredita na mesma coisa que eles, quem garante que não haverá discriminação?
Enfim, mais uma vez não pretendo ofender a fé de ninguém, muito pelo contrário, proteger o direito à liberdade religiosa de todos nós.

Abraços a todos que lêem este blog.

7 comentários:

Jomery Nery disse...

Olá Basile,

Chamou-me atenção o fato dos jogadores usarem frases em inglês logo após uma partida contra os Estados Unidos. Além disso, me chamou muita atenção ver que alguns jogadores inverteram suas camisas, colocando o brasão da celeção para as costas e os seus prórpios nomes para a frente. Esse fato sim, demonstrou ser uma afronta ao povo brasileiro, parecendo uma propaganda pessoal dos jogadores.
Já quanto a fé, acredito que as camisas que eles usaram representam a liberdade de opção religiosa que é inerente a cada um.
Em qualquer lugar do mundo encontraremos pessoas vestidas com camisas que expressem um culto, e isso não é motivo para criticá-los.
Há sempre várias formas de interpretar o mesmo evento.
Um abraço,
Jomery

Basile disse...

Eu até me esqueci de comentar o fato de que os dizeres eram em língua estrangeira, e não em português como qualquer manifestação normal deveria ser...

Mário disse...

A seleção brasileira representa o "Estado"? De onde vc tirou isso? Acaso é alguma instituição da república? É o Congresso? É o Executivo? É o judiciário? É o Itamaraty? Errado, meu caro, a CBF nada tem a ver com o estado brasileiro, tanto é que doou dinheiro para a campanha de Renan Calheiros, conforme denúncia do próprio Juca Kfouri. Se a seleção brasileira representa alguma coisa (e não estou dizendo que representa) é a sociedade brasileira, o país, não o estado. Mas há quem confunda as coisas, há quem, inclusive, deseje que as duas coisas se fundam numa só, como era na "saudosa" cortina de ferro. Assim, o Estado (partido) será tudo em todos. Nada fora dele, tudo para ele. Os indivíduos e sua livre manifestação não têm importância mesmo, não é? Ou não? Será que o ponto de vista do amigo também cabe para os esportes coletivos, já que as medalhas são contabilizadas para o Brasil? Será que foi o Estado brasileiro quem tombou com Diego Hipólito?

Mário disse...

Ou os esportes individuais são muito "individualistas", não sendo legítima a sua "representatividade" do Estado brasileiro. Foreman, representando o "Estado estadunidense" nocauteou o Estado brasileiro na figura de Adilson Maguila?

Basile disse...

Manifestações individuais imbecis podem e devem ser reprimidas...

Mário disse...

E quem decide o que é uma "manifestação imbecil"? Você, Basile? E se o responsável pela repressão das manifestações imbecis achar que seu blog é uma delas? Os jogadores da seleção do Egito também estavam a manifestar sua imbecilidade quando, antes, durante e depois de cada partida,rezavam daquele jeito peculiar dos muçulmanos? Deveriam ter sido reprimidos também?

Basile disse...

Essa argumentação de "quem vai julgar?" é falha... Um Juiz decide coisas muito mais importantes. Ele poderia, por exemplo, julgar que uma manifestação racista não seja exibida. Ou o direito à liberdade de expressão é maior do que tudo?
Esse viés liberal já deveria ter sido deixado de lado há muito tempo.

Além do que, como disse anteriormente, aquilo não era uma manifestação religiosa, mas sim uma tentativa de cooptação de fieis...