terça-feira, 14 de julho de 2009

Lula inaugura obra irregular em AL, acusa MPF

Eu só quero saber quem autorizou o fechamento da cidade para a visita do Presidente. Embora a presença dele não seja algo comum, porque o trânsito parou na Ponta Verde desde domingo?
Enfim... Segue a reportagem da UOL falando sobre o assunto.
Abraços
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, inauguram nesta terça-feira (14) as obras de reurbanização do trecho de 2,2 km da orla da capital alagoana entre os bairros de Ponta Verde e Jatiúca. Ao mesmo tempo em que é comemorada pelo setor do turismo, a obra - que teve investimento de R$ 4,9 milhões - possui uma série de contestações da Procuradoria da República em Alagoas, que vai pedir na Justiça que ela seja alterada.
Segundo a procuradora da área do meio ambiente do MPF (Ministério Público Federal), Niedja Kaspary, o projeto inicial foi alterado pela Prefeitura sem consentimento dos órgãos ambientais e deixou de obedecer critérios de construções em áreas litorâneas. "Houve uma série de irregularidades. Enviamos quatro recomendações à Prefeitura e notamos que nenhuma delas foi cumprida. Vamos questionar oficialmente por meio de uma ação civil pública, que será ajuizada", explicou Kaspary, que também procuradora-chefa do Ministério Público Federal em Alagoas, sem dar prazo para ingresso judicial.Entre as recomendações expedidas durante a fase de obras, três delas trataram sobre as construções irregulares em "ambiente praial em áreas antes não-edificadas". "É notável o avanço do mar em direção ao continente, sendo por demais temeroso aumentar as edificações em direção à praia", diz um dos requerimentos, lembrando que, nas "inúmeras reuniões com a Prefeitura", ficou acertado que as obras "deveriam ser ater ao limite já existente".Ainda segundo a procuradora, a reurbanização deixou barreiras visuais grandes e não cumpriu com o acordo de recuperar as áreas destruídas. "Eles chegaram a construir uma ciclovia na areia, o que não estava no projeto. Eles também não respeitaram os limites definidos e não padronizaram as barracas da orla", complementou. Mudanças confirmadasO secretário de Infraestrutura de Maceió, Mozart Amaral, confirmou que o projeto inicial foi alterado e que algumas das recomendações do MPF não foram cumpridas. "As mudanças no projeto existiram, como existem em qualquer obra, é natural. Mas nós seguimos algumas das recomendações do MPF", alegou o secretário. Amaral colocou em dúvida algumas orientações do MPF. "Atendemos na medida do possível. Mas algumas das recomendações são questionáveis e precisavam de amparos judiciais, como o caso da padronização das barracas. É necessária uma definição da Justiça quanto à licitação. Estamos esperando para cumprirmos essa e outras recomendações", explicou.
Amaral ainda rebateu o argumento de que as construções invadiram uma faixa litorânea não recomendada. "Existia realmente uma informação de que ali era uma área do mar, mas percebemos que ela está fora da área da praia. A construção no local foi regular", afirmou.O secretário ainda fez questão de ressaltar que a obra vai contemplar um dos pontos turísticos mais visitados de Alagoas. "Essa obra inclui saneamento, urbanização, melhorias da sinalização, iluminação. É uma obra que vai tornar Maceió um destino turístico ainda mais belo e frequentado", assegurou Mozart Amaral.Segundo o diretor de Infraestrutura do Ministério do Turismo, Roberto Bortolotto, mesmo sendo o órgão o maior financiador da obra, o Ministério não acompanha de perto a execução da reforma. "O dinheiro é destinado direto à Caixa Econômica, que abre uma conta e só libera o recurso para a empreiteira após a conferência da medição da obra, feita pela Prefeitura. Qualquer reclamação nesse período é feita ao Município, que é o executor da obra", assegura. Dos R$ 4,9 milhões, o Ministério investiu R$ 3,6 milhões, enquanto a Prefeitura desembolsou R$ 1,3 milhão.Adutora no AgresteAntes de participar do evento à tarde na capital, pela manhã, em Palmeira dos Índios (com 70 mil habitantes e a 134 km de Maceió), Lula e sua comitiva inauguram da primeira obra hídrica do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Nordeste. A adutora Helenildo Ribeiro deve atender a 120 mil pessoas na região do Agreste do Estado. A obra custou R$ 75 milhões (90% financiado pelo governo federal), além de mais R$ 1,5 milhão utilizados para desapropriações. "Essa obra vai promover um grande impulso na nossa economia e também melhorar a qualidade de vida da nossa população. Resolvemos assim um problema de abastecimento que se arrastava há mais de 10 anos", comemora o prefeito de Palmeira dos Índios, James Ribeiro".

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A irrelevância da música

Como estou sem tempo para escrever alguma coisa interessante, publico um e-mail que mandei há um certo tempo, mas que fez razoável sucesso.

Abraços,

Basile

"Ao contrário do que dizem as vendas, ela ocupa espaço ínfimo na vida da maioria das pessoas Geralmente, quando se fala de música, é ela própria o que menos importa. Por mais paradoxal que possa soar esta afirmação, ela é plenamente verificável em qualquer discussão a respeito do assunto. Seja na informalidade de uma mesa de botequim ou na mídia mais especializada, há quase sempre uma série de fatores que se sobrepõem ao dado sonoro, obstruindo sua apreciação.Esta constatação beira a obviedade quando levamos em conta a chamada música pop, com objetivos mais comerciais do que quaisquer outros relacionados à estética ou à criatividade. Ao ouvirmos ou lermos algo a respeito, podemos facilmente identificar uma longa lista de fatores tratados com maior grau de interesse do que aquilo que deveria estar em primeiro plano quando se fala de música: o som.Foca-se geralmente em aspectos visuais, como figurinos, efeitos pirotécnicos e performances teatrais nos shows. Dados do comportamento e da personalidade do artista, como suas opiniões políticas, seu temperamento e, principalmente, problemas com álcool, drogas ou com a polícia, também parecem importar muito mais do que sua música. E há interesses ainda mais bizarros a serem postos em primeiro plano, como, por exemplo, determinadas características anatômicas do artista.Com pretensão científica, divide-se ainda esta música em “estilos”, tais como hippie, punk, heavy metal, grunge e emo. Porém, quando se questiona a respeito das diferenças entre esses estilos, as respostas são automáticas em versar sobre roupas, penteados, ideologias duvidosas e, com muita freqüência, tal “atitude”, cujo significado ninguém é capaz de objetivar.Seria de se esperar, porém, que a abordagem fosse diferente quando se trata da música erudita, normalmente isenta de tantos apelos comerciais. Contudo, não é o que acontece. A mesma “celebrização” de seus personagens está sempre a obumbrar o interesse das obras.No caso dos compositores, isso se dá no mais das vezes pela criação de mitos trágicos -e geralmente não comprováveis-, envolvendo suas biografias. A figura do autor está sempre acima da obra. Ao ouvi-la, parece ser mais importante diagnosticar a heróica surdez de Beethoven, a genial loucura de Mozart ou a martirizada homossexualidade de Tchaikóvski do que captar as principais idéias musicais e desvendar o desfecho dramático do discurso.Outra coisa que induz o ouvinte a uma escuta completamente passiva é o status de “gênio” conferido a muitos compositores. O entendimento de uma obra musical como produto de um intelecto superior incute certo medo e humildade excessiva, principalmente nos ouvintes leigos, que acabam por abordar a música como algo extremamente especializado, distante de sua realidade e de sua compreensão, e completamente inatingível, como uma daquelas fórmulas matemáticas dificílimas ou uma teoria física por demais abstrata e incompreensível.Em se tratando dos intérpretes, é geralmente o virtuosismo que se interpõe entre o ouvinte e a música. Assim como o compositor gênio, um virtuoso em seu instrumento pode chegar a adquirir a mesma aura sobre-humana. Estando ele nessa condição elevada, acuam-se todos os mortais comuns na única posição apropriada ao contato com divindades: a da veneração cega –e surda. Tem-se, então, uma unanimidade. E, neste contexto, a música se transforma em mero pretexto para o exibicionismo.Um músico que tenha alcançado este almejado título certamente lotará as salas de concerto e receberá aplausos do público e elogios da crítica, mesmo que não tenha praticado seu instrumento com muito afinco nos últimos tempos... ou que toque o mesmíssimo repertório há anos... ou que a peça interpretada tenha sido uma versão simplificada de “Atirei o Pau no Gato”. Fato é que o som que emana do palco não faz lá muita diferença, comparada à simples presença do instrumentista virtuoso.Esta situação pode ser ainda mais cômica se o virtuoso em questão for uma criança. Absolutamente, não há obra musical no mundo que mereça mais atenção do que uma criança de seis anos trajando um pequeno fraque e movendo seus dedos no palco. A ternura de tal visão é ensurdecedora! E o espetáculo adquire um caráter muito mais circense do que musical: emocionamo-nos com o “incrível menino violinista”, assim como nos emocionaríamos com o “incrível cãozinho falante”, sem darmos a menor importância para o que e como toca o menino ou para o que diz o cachorro.Seria também de se esperar que a crítica especializada não fosse tão facilmente ludibriada em suas abordagens musicais por essas questões de outras ordens. Mas exemplos não faltam para nos mostrar como alimentamos de falsas expectativas.Há alguns anos, por ocasião do 80º aniversário de Pierre Boulez, destacado regente e um dos compositores mais relevantes dos últimos 50 anos, a revista “Veja” dedicou duas páginas para resenhar três CDs que enfocavam sua obra. Pelo texto, podia-se saber a respeito da opção sexual de Boulez, dos apelidos que ele costumava receber dos músicos por ser um regente muito rígido e de boatos acerca de um suposto mal uso de verbas que recebera do governo francês. O texto não trazia, porém, nem uma linha sequer a respeito da música contida nos CDs. O ouvinte que não se interessasse por fofocas não poderia tirar da resenha nenhuma dica para auxiliá-lo na decisão de adquirir ou não os discos.A mesma cobertura estrábica foi conferida à morte do violoncelista russo Mstislav Rostropóvitch, em abril do ano passado. A maior parte dos meios de comunicação dava destaque à sua posição política anti-soviética durante a Guerra Fria, ao seu exílio nos Estados Unidos e ao auxílio que deu a outras vítimas do regime. Nada se falou a respeito de suas interpretações ou do vasto repertório para violoncelo que só existe porque foi encomendado a diversos compositores, interpretado e gravado por Rostropóvitch. A partir desse enfoque da mídia, algum desavisado certamente entenderia que falecera um ativista político ao invés de um músico.O exemplo mais patético, contudo, vem da TV Cultura, que mesmo assim vangloria-se de ter uma tal de “responsabilidade cultural”. Quando da morte do compositor alemão Karlheinz Stockhausen, em dezembro passado, o “Jornal da Cultura” noticiou o fato destacando a aparição do rosto do falecido compositor na capa do disco “Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles. Além dessa capa, a reportagem mostrava trechos de apresentações da banda inglesa e as tradicionais tietes ensandecidas externando seus aparelhos fonadores.Mais uma vez, não havia sequer uma menção à música de Stockhausen, ou à sua importância para as várias revoluções que se deram na linguagem musical a partir dos anos 50, ou ainda ao seu pioneirismo na composição de música eletrônica. Algum espectador que perdera o início da reportagem deve ter concluído que o defunto em questão era algum membro dos Beatles. Até a música que servia de trilha para a matéria era dos Beatles, num raro e lamentável exemplo de como até mesmo a música pode servir para tirar a música do centro da questão!Diante desses numerosos casos de ouvidos desfocados, chegamos à conclusão de que, ao contrário do que dizem os números e as vendas, a música ocupa um espaço ínfimo na vida da maioria das pessoas. Analisando com um pouco de cuidado, podemos perceber que quase todo o tempo que cremos dedicar à música é, na verdade, preenchido por fofocas, histórias fantasiosas, comportamentos e roupas da moda, seres sobrenaturais e imagens muito mais captadas pelos olhos do que pelos ouvidos.
Publicado em 27/3/2008.
Matheus G. BitondiÉ compositor, mestre em análise musical pela Unesp".

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sarney, Sarney...

"Fundação Sarney ganha R$ 1,34 mi de estatal
Em vez de livros e museu, principal atrativo de entidade é festa julina idealizada pela governadora do Maranhão, Roseana De acordo com a Petrobras, recursos repassados para a fundação foram destinados à preservação do acervo da biblioteca e do museu.
HUDSON CORRÊAENVIADO ESPECIAL A SÃO LUÍS
A Fundação José Sarney em São Luís (MA), que recebeu R$ 1,34 milhão da Petrobras entre o fim de 2005 e setembro passado para preservação de seu acervo, tem como principal atração para o público, em vez de livros e o museu, uma festa julina idealizada pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Os festejos, que começaram na semana passada e vão até o fim do mês, são realizados pela Associação dos Amigos do Bom Menino das Mercês, comandada por Raimundo Nonato Quintiliano Pereira Filho, funcionário do gabinete do senador Lobão Filho (PMDB-MA). Lobão é aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o criador da fundação. O dinheiro da Petrobras, segundo a estatal, foi destinado à preservação do acervo da biblioteca e do museu. Entre as peças em exposição, há cartazes de campanha, caricaturas e quadros de Sarney. Numa quinta-feira, a Folha foi ao prédio da fundação, localizado no centro histórico de São Luís. O repórter recebeu a informação de que a biblioteca estava fechada e sem previsão de funcionamento. A reportagem procurou o diretor da entidade Fernando Belfort, ex-funcionário do Senado e hoje no governo de Roseana. Ele então mostrou a biblioteca e o museu à Folha. Belfort disse que a entidade vive do dinheiro do aluguel de um salão para reuniões ao custo de R$ 1.000 por dia. Afirmou que a Vale Festejar, idealizada por Roseana e patrocinada pela Vale, é a principal atração. A biblioteca, porém, não tem estrutura para atendimento ao público, conforme a Folha constatou. Funcionários não conseguiram localizar os exemplares da primeira edição de "Espumas Flutuantes", de Castro Alves, de "O Francesismo", de Eça de Queiroz, nem "uma obra rara de [Nicolau] Maquiavel [1469-1527] datada de 1560", joias que a Fundação informa ter em seu acervo. Belfort exibiu duas salas vazias onde, segundo ele, funcionam laboratórios de recuperação de livros raros. As instalações teriam sido feitas com verba da Petrobras. Há ainda divergências de números sobre o acervo. A fundação informa que há 40 mil documentos. A Petrobras diz que são 50 mil. A sede da fundação é um prédio histórico erguido no século 17, onde funcionou o convento das Mercês. Durante a festa, o local recebe barracas de festa junina. Na abertura, um grupo cantou uma toada em homenagem à governadora: "Ela é mulher no Senado, ela mulher do governo e também do nosso Estado. [...] E viva Roseana". Colaborou ANDRÉA MICHAEL, da Sucursal de Brasília"

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Decepção com a Seleção Brasileira

Assisti ao jogo do Brasil na final com os Estados Unidos, um jogo certamente histórico, no Bar Vinícius, na Rua Vinícius de Moraes, na cidade do Rio de Janeiro. Tudo conspirava para a vitória e para uma tarde maravilhosa no Rio. No entanto os dois primeiros gols me fizeram desanimar e pregar numa derrota para os estadunidenses. Felizmente, mostrando a força que os espanhóis não tiveram, e provando que estávamos melhores do que eles, vencemos a partida com quase 4 gols marcados no segundo tempo.
No entanto, algo me deixou triste. Ao ver a comemoração dos jogadores, percebi que muitos deles usavam por debaixo dos uniformes camisas com dizeres em inglês afirmando um amor por jesus ou que pertenciam à deus. Eles, naquele momento, estavam representando o Estado Brasileiro, tanto é que chamamos o jogo do Brasil! E o Estado Brasileiro é laico, ou seja, não possui nenhuma religião específica. O que aconteceria, por exemplo, como disse o jornalista Ricardo Acampora, citado por Juca Kfouri, se algum jogador usasse uma camisa com os dizeres: "Eu não acredito em Deus", ou "Essa vitória foi obtida graças ao esforço dos jogadores sem nenhuma interferência divina ou sobrenatural"?
Os jogadores realmente pareciam que estavam no meio de uma pregação religiosa e estavam querendo mais do que demonstrar sua fé, estavam mesmo era querendo convencer as pessoas de que sua fé deve ser seguida, e isso eu não aceito. Acredito que as pessoas devem escolher suas religiões livremente, e esses jogadores não podem utilizar-se desse espaço, que em verdade não os pertence, mas ao Brasil inteiro, para manifestar coletivamente uma opinião religiosa. Da mesma forma, se há algum jogador que não acredita na mesma coisa que eles, quem garante que não haverá discriminação?
Enfim, mais uma vez não pretendo ofender a fé de ninguém, muito pelo contrário, proteger o direito à liberdade religiosa de todos nós.

Abraços a todos que lêem este blog.