segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sobre demissões e crises

- Fico imaginando como é fácil manipular as opiniões das pessoas. Ouvi um comentário interessante hoje no programa Manhattan Connection. Se falou que, do mesmo jeito que o Bush se aproveitou do 11 de setembro para redimensionar a política com o Oriente Médio, o Obama estaria aproveitando a crise para redimensionar o tamanho do Estado. Concordo que isto esteja acontecendo, mas não condeno Obama por isso, muito pelo contrário. Penso que é uma opção liberal e mesquinha exigir um Estado mínimo com tanta injustiça por lá. Enfim, gostaria de tomar esse argumento para demonstrar que no Brasil se tem usado a crise mundial como desculpa para uma série de ações impensadas.
- Seria leviano afirmar que não há crise. Mas é hipocrisia dizer, por exemplo, que os bancos brasileiros estão passando por dificuldades. O spread bancário, que é a diferença entre os juros que o banco cobra quando retira o dinheiro dos particulares e o quanto eles retornam para a população, em nosso país, é um dos mais altos do mundo. E os bancos, todos sabemos, vêm lucrando há vários anos devido a isso e ao crescimento econômico do mundo. Chegou a hora em que o Estado e a população brasileira devem cobrar dessas empresas bilionárias alguma responsabilidade social. É preciso que o Estado obrigue essas instituições a fornecer crédito barato para que a população consuma. É preciso que haja também mais cautela do Estado antes de fornecer grandes benefícios fiscais para empresas sólidas que apenas diminuiram seus lucros. Estão usando a crise mundial para defender a diminuição dos direitos trabalhistas, como se eles fossem responsáveis por isso, bem como outras medidas que considero maléficas para a nossa sociedade.
- É preciso ao menos que as pessoas tenham mais senso crítico antes de defender o que quer que seja. Quase nunca, para não ser descuidado, a diminuição de direitos resultou em avanço para a sociedade. Muito pelo contrário. Diminuição de direitos geralmente levam a conflitos que surgirão num futuro não muito distante, isso porque ninguém deve aceitar passivamente a diminuição de sua qualidade de vida em face ao lucro desmedido dos outros.
- É o que penso. Aguardo as críticas.
Abraços a todos!

Um comentário:

Diego disse...

Concordo com você Basile. Foi exatamente isso que me passou pela cabeça quando estava escutando na rádio que as empresas vinham reinvidicando a relativização de alguns direitos trabalhistas.
Qual seria o argumento? Porque o atual é furado, já que tal medida não rendeu mais empregos em nenhum dos países onde tal foi adotada..
Abraço.