segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Summer and Autumn

Resolvi escrever logo para retirar de pauta o tópico anterior, do qual me envergonho. Mas enfim, ainda espero sugestões para temas aqui, afinal ando meio sem ter o que escrever.
Assisti a dois filmes nesse fim de semana. "Do começo ao fim" é um filme brasileiro sobre dois irmãos homens que se apaixonam e mantém um relacionamento estável desde a adolescência até a vida adulta. Achei o filme ruim, não por relatar uma história dramática e que mostra as dificuldades dessa relação, justamente pelo contrário. O filme parece banal, sem nenhum drama, como se essa relação "diferente" não fosse causar o menor constrangimento ou dificuldade para os personagens. Além do mais as cenas são meio bregas e a história não parece crível em nenhum momento. Infelizmente um filme que parecia ser tão interessante afundou num roteiro muito fraco e com atores igualmente sem talento.
O outro filme que assisti é muito bom. Chama-se "500 dias com ela", o título em inglês é mais interessante porque ele faz referencia ao nome da personagem feminina que se chama Summer, cuja tradução seria verão, mas como ninguém se chama verão no Brasil, com exceção da Vera que já morreu, perdemos um pouco na tradução. Enfim, o filme tem um enredo muito interessante e os atores são muito bons. A atriz Zooey Deschanel é muito cativante e prende a atenção durante o filme e o ator Joseph Gordon-Levitt também não decepciona. Essa sim é uma história crível e que apesar de normal, não nos deixa de emocionar. Não vou ficar bajulando muito, mas vejam e não se arrependerão!
Abraços aos que por ventura passarem por aqui...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

6X

Hoje a postagem é em homenagem ao CRF. Não sou fanático por futebol, gosto apenas de assistir bons jogos e por influência do meu tio carioca, gosto do Flamengo. A grande polêmica que vejo hoje em relação a esse título conquistado no melhor campeonato dos últimos tempos é a de quantas vezes o meu clube se sagrou campeão. Segundo a Globo e o Clube dos Treze esse seria o sexto título, enquanto que segundo a CBF seria apenas o quinto, por que isso? O objeto de disputa é o campeonato de 1987 que o flamengo reputa como seu e o Sport também. A verdade é que juridicamente, graças a um acórdão do STJ sobre a matéria, o título é do Sport. No entanto, a imprensa de uma maneira geral e o sentimento popular é o de que o título deve ser direcionado ao Flamengo que venceu o grupo de times mais difícil naquele ano, enquanto o Sport teria ganho apenas uma espécie de série B. Tudo fruto da desorganização da própria CBF que não teve competência naquele ano para estabelecer previamente as regras de forma clara. Quem disser de outra forma provavelmente tem medo que o Flamengo tenha mais títulos que seu time. E no futebol, como em outros assuntos, o que vale não são instrumentos jurídicos, mas aquilo que o povo acredita como verdade, e que influenciará culturalmente as demais gerações. Sempre meus escritos são parciais, mas desconsiderem qualquer exagero no de hoje, bem como qualquer ausência de bons critérios de escrita, afinal são duas da manhã e resolvi escrever para passar o tempo.
Abraços aos leitores que por ventura passem por aqui.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Alertem todos alarmas, que o homem que eu era voltou!

Caros amigos,

depois de quase dois meses volto a escrever aqui. Perdoem a minha falta de compromisso, pois estou estudando bastante para uma seleção e as minhas turmas demandam muita dedicação. Enfim, hoje pretendo colocar em dia a nossa conversa e escrever sobre alguns assuntos diferentes.

Em primeiro lugar, dei uma olhada hoje num site alagoano que conta o número de homicídios registrados no estado. Só hoje foram 5 (cinco), totalizando no ano 1154 (mil cento e cinquenta e quatro). Algumas pessoas ainda tem medo de visitar o Rio... Até quando aceitaremos isso?

Outro assunto palpitante e que merece análise mais profunda é o da mudança na tributação do IPTU na cidade de São Paulo. Para quem não está acompanhando o noticiário sobre o tema, a prefeitura resolveu ajustar a Planta Genérica de Valores (PGV), aumentando a base de cálculo na cobrança do imposto sobre propriedade territorial urbana. Traduzindo para os leigos em direito, o município resolveu aumentar o IPTU. As repercussões desse aumento ainda são incertas, mas impressiona um município governado pelo Democratas, um partido declaradamente liberal, aumentar valores cobrados por meio de tributos para financiar as atividades prestadas pelo Município. Esse tipo de atitude normalmente é mal vista pela população, que se recusa a retirar parte maior de seus rendimentos para financiar as cidades, sabendo que a classe política mal utiliza os recursos que já estão lá. No entanto a principal fonte de arrecadação dos municípios (quando eles possuem) é o IPTU. E algumas mudanças que foram feitas lá beneficiam sim os mais pobres e aumentam apenas para os que possuem uma condição mínima. Por exemplo, antes os imóveis que valiam mais do que 37 (trinta e sete) mil não precisavam pagar, agora só os que superarem os 70 (setenta) mil é que devem pagar IPTU. A função dos tributos é dupla, por um lado deve financiar os nossos direitos, por outro deve buscar arrecadar mais de quem tem mais. Se as mudanças forem nesse sentido, não há porque levantar barricadas contra isso. Nesse sentido é que o fim da CPMF foi um erro, que o próprio Democratas defendeu...
Claro que ainda não li as modificações legislativas em si, apenas algumas matérias jornalísticas e, portanto, parciais sobre o tema. É preciso que a sociedade paulistana fique de olho apenas na destinação de tais recursos para que eles não acabem nas meias e cuecas por aí.

Abraços a todos!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Rio 2016

Refleti bastante sobre o resultado da sede das olimpíadas no ano de 2016 antes de escrever algo sobre isso, embora o texto que tenho a postar hoje seja pequeno.
Talvez a escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica seja motivo de arrependimento no futuro, tendo em vista que tudo relacionado à corrupção poderá acontecer nos preparativos do evento, porém, também teremos a oportunidade de realmente evoluir no combate à essa mesma corrupção, construindo técnicas e órgãos que tenham mais efetividade no controle financeiro de grandes obras no Brasil. Evidentemente o argumento de que "quem critica está contra a nação num momento tão importante" será utilizado, mas o descontentamento com os jogos do Panamericano realizados na mesma cidade dão o crédito necessário para que jornalistas esportivos, por exemplo, exerçam o seu papel de fiscalizadores de todos os aspectos dos jogos. Não podemos nos dar ao luxo de decepcinar a nós mesmos e a comunidade internacional realizando jogos de baixa qualidade e sem nenhum ou pouco retorno para a população mais pobre que deveria ser a verdadeira beneficiada com eventos desse tipo, com o aumento dos espaços de práticas esportivas e investimento massificado em esporte em geral. Não podemos aguardar a realização dos jogos como se tudo fosse obrigação do COB, mas, pelo contrário, exigir a participação da população em todos os momentos da realização dos jogos, não apenas em vídeos politicamente corretos onde moradores de favelas se mostram felizes e satisfeitos, quando sabemos ser a realidade bem mais cruel.
Abraços aos eventuais leitores com as desculpas pelo tempo em inatividade.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Informativo do Mestrado

Em breve o Mestrado em Direito da UFAL lançará um informativo que visa divulgar as ações e calendário do Mestrado, bem como publicar textos dos mestrandos sobre diversos assuntos. Aguadem!

Abraços a todos.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Lula inaugura obra irregular em AL, acusa MPF

Eu só quero saber quem autorizou o fechamento da cidade para a visita do Presidente. Embora a presença dele não seja algo comum, porque o trânsito parou na Ponta Verde desde domingo?
Enfim... Segue a reportagem da UOL falando sobre o assunto.
Abraços
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, inauguram nesta terça-feira (14) as obras de reurbanização do trecho de 2,2 km da orla da capital alagoana entre os bairros de Ponta Verde e Jatiúca. Ao mesmo tempo em que é comemorada pelo setor do turismo, a obra - que teve investimento de R$ 4,9 milhões - possui uma série de contestações da Procuradoria da República em Alagoas, que vai pedir na Justiça que ela seja alterada.
Segundo a procuradora da área do meio ambiente do MPF (Ministério Público Federal), Niedja Kaspary, o projeto inicial foi alterado pela Prefeitura sem consentimento dos órgãos ambientais e deixou de obedecer critérios de construções em áreas litorâneas. "Houve uma série de irregularidades. Enviamos quatro recomendações à Prefeitura e notamos que nenhuma delas foi cumprida. Vamos questionar oficialmente por meio de uma ação civil pública, que será ajuizada", explicou Kaspary, que também procuradora-chefa do Ministério Público Federal em Alagoas, sem dar prazo para ingresso judicial.Entre as recomendações expedidas durante a fase de obras, três delas trataram sobre as construções irregulares em "ambiente praial em áreas antes não-edificadas". "É notável o avanço do mar em direção ao continente, sendo por demais temeroso aumentar as edificações em direção à praia", diz um dos requerimentos, lembrando que, nas "inúmeras reuniões com a Prefeitura", ficou acertado que as obras "deveriam ser ater ao limite já existente".Ainda segundo a procuradora, a reurbanização deixou barreiras visuais grandes e não cumpriu com o acordo de recuperar as áreas destruídas. "Eles chegaram a construir uma ciclovia na areia, o que não estava no projeto. Eles também não respeitaram os limites definidos e não padronizaram as barracas da orla", complementou. Mudanças confirmadasO secretário de Infraestrutura de Maceió, Mozart Amaral, confirmou que o projeto inicial foi alterado e que algumas das recomendações do MPF não foram cumpridas. "As mudanças no projeto existiram, como existem em qualquer obra, é natural. Mas nós seguimos algumas das recomendações do MPF", alegou o secretário. Amaral colocou em dúvida algumas orientações do MPF. "Atendemos na medida do possível. Mas algumas das recomendações são questionáveis e precisavam de amparos judiciais, como o caso da padronização das barracas. É necessária uma definição da Justiça quanto à licitação. Estamos esperando para cumprirmos essa e outras recomendações", explicou.
Amaral ainda rebateu o argumento de que as construções invadiram uma faixa litorânea não recomendada. "Existia realmente uma informação de que ali era uma área do mar, mas percebemos que ela está fora da área da praia. A construção no local foi regular", afirmou.O secretário ainda fez questão de ressaltar que a obra vai contemplar um dos pontos turísticos mais visitados de Alagoas. "Essa obra inclui saneamento, urbanização, melhorias da sinalização, iluminação. É uma obra que vai tornar Maceió um destino turístico ainda mais belo e frequentado", assegurou Mozart Amaral.Segundo o diretor de Infraestrutura do Ministério do Turismo, Roberto Bortolotto, mesmo sendo o órgão o maior financiador da obra, o Ministério não acompanha de perto a execução da reforma. "O dinheiro é destinado direto à Caixa Econômica, que abre uma conta e só libera o recurso para a empreiteira após a conferência da medição da obra, feita pela Prefeitura. Qualquer reclamação nesse período é feita ao Município, que é o executor da obra", assegura. Dos R$ 4,9 milhões, o Ministério investiu R$ 3,6 milhões, enquanto a Prefeitura desembolsou R$ 1,3 milhão.Adutora no AgresteAntes de participar do evento à tarde na capital, pela manhã, em Palmeira dos Índios (com 70 mil habitantes e a 134 km de Maceió), Lula e sua comitiva inauguram da primeira obra hídrica do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) no Nordeste. A adutora Helenildo Ribeiro deve atender a 120 mil pessoas na região do Agreste do Estado. A obra custou R$ 75 milhões (90% financiado pelo governo federal), além de mais R$ 1,5 milhão utilizados para desapropriações. "Essa obra vai promover um grande impulso na nossa economia e também melhorar a qualidade de vida da nossa população. Resolvemos assim um problema de abastecimento que se arrastava há mais de 10 anos", comemora o prefeito de Palmeira dos Índios, James Ribeiro".

sexta-feira, 10 de julho de 2009

A irrelevância da música

Como estou sem tempo para escrever alguma coisa interessante, publico um e-mail que mandei há um certo tempo, mas que fez razoável sucesso.

Abraços,

Basile

"Ao contrário do que dizem as vendas, ela ocupa espaço ínfimo na vida da maioria das pessoas Geralmente, quando se fala de música, é ela própria o que menos importa. Por mais paradoxal que possa soar esta afirmação, ela é plenamente verificável em qualquer discussão a respeito do assunto. Seja na informalidade de uma mesa de botequim ou na mídia mais especializada, há quase sempre uma série de fatores que se sobrepõem ao dado sonoro, obstruindo sua apreciação.Esta constatação beira a obviedade quando levamos em conta a chamada música pop, com objetivos mais comerciais do que quaisquer outros relacionados à estética ou à criatividade. Ao ouvirmos ou lermos algo a respeito, podemos facilmente identificar uma longa lista de fatores tratados com maior grau de interesse do que aquilo que deveria estar em primeiro plano quando se fala de música: o som.Foca-se geralmente em aspectos visuais, como figurinos, efeitos pirotécnicos e performances teatrais nos shows. Dados do comportamento e da personalidade do artista, como suas opiniões políticas, seu temperamento e, principalmente, problemas com álcool, drogas ou com a polícia, também parecem importar muito mais do que sua música. E há interesses ainda mais bizarros a serem postos em primeiro plano, como, por exemplo, determinadas características anatômicas do artista.Com pretensão científica, divide-se ainda esta música em “estilos”, tais como hippie, punk, heavy metal, grunge e emo. Porém, quando se questiona a respeito das diferenças entre esses estilos, as respostas são automáticas em versar sobre roupas, penteados, ideologias duvidosas e, com muita freqüência, tal “atitude”, cujo significado ninguém é capaz de objetivar.Seria de se esperar, porém, que a abordagem fosse diferente quando se trata da música erudita, normalmente isenta de tantos apelos comerciais. Contudo, não é o que acontece. A mesma “celebrização” de seus personagens está sempre a obumbrar o interesse das obras.No caso dos compositores, isso se dá no mais das vezes pela criação de mitos trágicos -e geralmente não comprováveis-, envolvendo suas biografias. A figura do autor está sempre acima da obra. Ao ouvi-la, parece ser mais importante diagnosticar a heróica surdez de Beethoven, a genial loucura de Mozart ou a martirizada homossexualidade de Tchaikóvski do que captar as principais idéias musicais e desvendar o desfecho dramático do discurso.Outra coisa que induz o ouvinte a uma escuta completamente passiva é o status de “gênio” conferido a muitos compositores. O entendimento de uma obra musical como produto de um intelecto superior incute certo medo e humildade excessiva, principalmente nos ouvintes leigos, que acabam por abordar a música como algo extremamente especializado, distante de sua realidade e de sua compreensão, e completamente inatingível, como uma daquelas fórmulas matemáticas dificílimas ou uma teoria física por demais abstrata e incompreensível.Em se tratando dos intérpretes, é geralmente o virtuosismo que se interpõe entre o ouvinte e a música. Assim como o compositor gênio, um virtuoso em seu instrumento pode chegar a adquirir a mesma aura sobre-humana. Estando ele nessa condição elevada, acuam-se todos os mortais comuns na única posição apropriada ao contato com divindades: a da veneração cega –e surda. Tem-se, então, uma unanimidade. E, neste contexto, a música se transforma em mero pretexto para o exibicionismo.Um músico que tenha alcançado este almejado título certamente lotará as salas de concerto e receberá aplausos do público e elogios da crítica, mesmo que não tenha praticado seu instrumento com muito afinco nos últimos tempos... ou que toque o mesmíssimo repertório há anos... ou que a peça interpretada tenha sido uma versão simplificada de “Atirei o Pau no Gato”. Fato é que o som que emana do palco não faz lá muita diferença, comparada à simples presença do instrumentista virtuoso.Esta situação pode ser ainda mais cômica se o virtuoso em questão for uma criança. Absolutamente, não há obra musical no mundo que mereça mais atenção do que uma criança de seis anos trajando um pequeno fraque e movendo seus dedos no palco. A ternura de tal visão é ensurdecedora! E o espetáculo adquire um caráter muito mais circense do que musical: emocionamo-nos com o “incrível menino violinista”, assim como nos emocionaríamos com o “incrível cãozinho falante”, sem darmos a menor importância para o que e como toca o menino ou para o que diz o cachorro.Seria também de se esperar que a crítica especializada não fosse tão facilmente ludibriada em suas abordagens musicais por essas questões de outras ordens. Mas exemplos não faltam para nos mostrar como alimentamos de falsas expectativas.Há alguns anos, por ocasião do 80º aniversário de Pierre Boulez, destacado regente e um dos compositores mais relevantes dos últimos 50 anos, a revista “Veja” dedicou duas páginas para resenhar três CDs que enfocavam sua obra. Pelo texto, podia-se saber a respeito da opção sexual de Boulez, dos apelidos que ele costumava receber dos músicos por ser um regente muito rígido e de boatos acerca de um suposto mal uso de verbas que recebera do governo francês. O texto não trazia, porém, nem uma linha sequer a respeito da música contida nos CDs. O ouvinte que não se interessasse por fofocas não poderia tirar da resenha nenhuma dica para auxiliá-lo na decisão de adquirir ou não os discos.A mesma cobertura estrábica foi conferida à morte do violoncelista russo Mstislav Rostropóvitch, em abril do ano passado. A maior parte dos meios de comunicação dava destaque à sua posição política anti-soviética durante a Guerra Fria, ao seu exílio nos Estados Unidos e ao auxílio que deu a outras vítimas do regime. Nada se falou a respeito de suas interpretações ou do vasto repertório para violoncelo que só existe porque foi encomendado a diversos compositores, interpretado e gravado por Rostropóvitch. A partir desse enfoque da mídia, algum desavisado certamente entenderia que falecera um ativista político ao invés de um músico.O exemplo mais patético, contudo, vem da TV Cultura, que mesmo assim vangloria-se de ter uma tal de “responsabilidade cultural”. Quando da morte do compositor alemão Karlheinz Stockhausen, em dezembro passado, o “Jornal da Cultura” noticiou o fato destacando a aparição do rosto do falecido compositor na capa do disco “Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band”, dos Beatles. Além dessa capa, a reportagem mostrava trechos de apresentações da banda inglesa e as tradicionais tietes ensandecidas externando seus aparelhos fonadores.Mais uma vez, não havia sequer uma menção à música de Stockhausen, ou à sua importância para as várias revoluções que se deram na linguagem musical a partir dos anos 50, ou ainda ao seu pioneirismo na composição de música eletrônica. Algum espectador que perdera o início da reportagem deve ter concluído que o defunto em questão era algum membro dos Beatles. Até a música que servia de trilha para a matéria era dos Beatles, num raro e lamentável exemplo de como até mesmo a música pode servir para tirar a música do centro da questão!Diante desses numerosos casos de ouvidos desfocados, chegamos à conclusão de que, ao contrário do que dizem os números e as vendas, a música ocupa um espaço ínfimo na vida da maioria das pessoas. Analisando com um pouco de cuidado, podemos perceber que quase todo o tempo que cremos dedicar à música é, na verdade, preenchido por fofocas, histórias fantasiosas, comportamentos e roupas da moda, seres sobrenaturais e imagens muito mais captadas pelos olhos do que pelos ouvidos.
Publicado em 27/3/2008.
Matheus G. BitondiÉ compositor, mestre em análise musical pela Unesp".

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sarney, Sarney...

"Fundação Sarney ganha R$ 1,34 mi de estatal
Em vez de livros e museu, principal atrativo de entidade é festa julina idealizada pela governadora do Maranhão, Roseana De acordo com a Petrobras, recursos repassados para a fundação foram destinados à preservação do acervo da biblioteca e do museu.
HUDSON CORRÊAENVIADO ESPECIAL A SÃO LUÍS
A Fundação José Sarney em São Luís (MA), que recebeu R$ 1,34 milhão da Petrobras entre o fim de 2005 e setembro passado para preservação de seu acervo, tem como principal atração para o público, em vez de livros e o museu, uma festa julina idealizada pela governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB). Os festejos, que começaram na semana passada e vão até o fim do mês, são realizados pela Associação dos Amigos do Bom Menino das Mercês, comandada por Raimundo Nonato Quintiliano Pereira Filho, funcionário do gabinete do senador Lobão Filho (PMDB-MA). Lobão é aliado do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o criador da fundação. O dinheiro da Petrobras, segundo a estatal, foi destinado à preservação do acervo da biblioteca e do museu. Entre as peças em exposição, há cartazes de campanha, caricaturas e quadros de Sarney. Numa quinta-feira, a Folha foi ao prédio da fundação, localizado no centro histórico de São Luís. O repórter recebeu a informação de que a biblioteca estava fechada e sem previsão de funcionamento. A reportagem procurou o diretor da entidade Fernando Belfort, ex-funcionário do Senado e hoje no governo de Roseana. Ele então mostrou a biblioteca e o museu à Folha. Belfort disse que a entidade vive do dinheiro do aluguel de um salão para reuniões ao custo de R$ 1.000 por dia. Afirmou que a Vale Festejar, idealizada por Roseana e patrocinada pela Vale, é a principal atração. A biblioteca, porém, não tem estrutura para atendimento ao público, conforme a Folha constatou. Funcionários não conseguiram localizar os exemplares da primeira edição de "Espumas Flutuantes", de Castro Alves, de "O Francesismo", de Eça de Queiroz, nem "uma obra rara de [Nicolau] Maquiavel [1469-1527] datada de 1560", joias que a Fundação informa ter em seu acervo. Belfort exibiu duas salas vazias onde, segundo ele, funcionam laboratórios de recuperação de livros raros. As instalações teriam sido feitas com verba da Petrobras. Há ainda divergências de números sobre o acervo. A fundação informa que há 40 mil documentos. A Petrobras diz que são 50 mil. A sede da fundação é um prédio histórico erguido no século 17, onde funcionou o convento das Mercês. Durante a festa, o local recebe barracas de festa junina. Na abertura, um grupo cantou uma toada em homenagem à governadora: "Ela é mulher no Senado, ela mulher do governo e também do nosso Estado. [...] E viva Roseana". Colaborou ANDRÉA MICHAEL, da Sucursal de Brasília"

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Decepção com a Seleção Brasileira

Assisti ao jogo do Brasil na final com os Estados Unidos, um jogo certamente histórico, no Bar Vinícius, na Rua Vinícius de Moraes, na cidade do Rio de Janeiro. Tudo conspirava para a vitória e para uma tarde maravilhosa no Rio. No entanto os dois primeiros gols me fizeram desanimar e pregar numa derrota para os estadunidenses. Felizmente, mostrando a força que os espanhóis não tiveram, e provando que estávamos melhores do que eles, vencemos a partida com quase 4 gols marcados no segundo tempo.
No entanto, algo me deixou triste. Ao ver a comemoração dos jogadores, percebi que muitos deles usavam por debaixo dos uniformes camisas com dizeres em inglês afirmando um amor por jesus ou que pertenciam à deus. Eles, naquele momento, estavam representando o Estado Brasileiro, tanto é que chamamos o jogo do Brasil! E o Estado Brasileiro é laico, ou seja, não possui nenhuma religião específica. O que aconteceria, por exemplo, como disse o jornalista Ricardo Acampora, citado por Juca Kfouri, se algum jogador usasse uma camisa com os dizeres: "Eu não acredito em Deus", ou "Essa vitória foi obtida graças ao esforço dos jogadores sem nenhuma interferência divina ou sobrenatural"?
Os jogadores realmente pareciam que estavam no meio de uma pregação religiosa e estavam querendo mais do que demonstrar sua fé, estavam mesmo era querendo convencer as pessoas de que sua fé deve ser seguida, e isso eu não aceito. Acredito que as pessoas devem escolher suas religiões livremente, e esses jogadores não podem utilizar-se desse espaço, que em verdade não os pertence, mas ao Brasil inteiro, para manifestar coletivamente uma opinião religiosa. Da mesma forma, se há algum jogador que não acredita na mesma coisa que eles, quem garante que não haverá discriminação?
Enfim, mais uma vez não pretendo ofender a fé de ninguém, muito pelo contrário, proteger o direito à liberdade religiosa de todos nós.

Abraços a todos que lêem este blog.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Habermas - 80 anos


O bom e velho Habermas completa hoje 80 anos de idade. Uma matéria muito interessante da Revista Cult em meio eletrônico fala um pouco de sua história. Vale a pena conferir no endereço:
No mais, desejo à minha querida amiga Andréa um feliz aniversário e a parabenizo por ter nascido 8 (oito) meses antes do que eu.

Abraços a todos!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

História do Direito Financeiro e Tributário no Brasil

Caros colegas,
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estive hoje pesquisando no site da presidência e encontrei uma lei fundamental na história do Direito Financeiro e Tributário brasileiros e, em especial, do Imposto de Renda e da Despesa Pública no Brasil. É que a referida lei fixa as despesas do Brasil Imperial para vários anos e cria a figura do imposto sobre a renda para os que recebem valores do Poder Público.
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Diz um dos parágrafos da lei:
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"§ 1º Todas as pessoas que receberem vencimentos dos Cofres Publicos Geraes, por qualquer titulo que seja, ficão sujeitas a uma imposição, que será regulada pela maneira seguinte:
De:
500$000 á 1:000$000 - 2 por cento
1:000$000 á 2:000$000 - 3 por cento
2:000$000 á 3:000$000 - 4 por cento
3:000$000 á 4:000$000 - 5 por cento
4:000$000 á 5:000$000 - 6 por cento
5:000$000 á 6:000$000 - 7 por cento
6:000$000 á 7:000$000 - 8 por cento
7:000$000 á 8:000$000 - 9 por cento
8:000$000 para cima - 10 por cento
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O interessante é que foram criadas várias faixas de alíquotas, diferentemente do que acontece hoje, muito embora tais alíquotas fossem baixas e próximas umas as outras.
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Com relação às despesas vale a pena observar o gasto que representava para o Estado a família imperial, não muito diferente do que acontece hoje com a cúpula dos poderes.
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Enquanto era destinado:
1º Dotação de Sua Magestade o Imperador - 800:000$000
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Apenas se fixou para:
19. Canaes, pontes e estradas geraes - 80:000$000
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Enfim, vale a pena conferir outras disposições estranhas ao comum e como a lei orçamentária servia também para positivar tributos, o que hoje é proibido pelo ordenamento. Segue abaixo o link para que estiver interessado em ler mais.

Abraços!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Imposto sobre poupança começa em 2010

"A Fazenda programou para hoje a divulgação das mudanças, mas isso ainda dependia de reunião com Lula pela manhã para definir o valor de corte e a data do anúncio.Lula optou pela cobrança de IR nas cadernetas, o mais popular instrumento de investimento do país, apesar de sua equipe ser favorável a uma mudança definitiva nas regras da poupança -os técnicos preferiam acabar de uma vez com os juros tabelados em 6% anuais.Se prevalecer o limite de R$ 50 mil, 99% dos aplicadores estariam isentos de tributação. Mas o governo conseguiria recolher IR sobre quase 40% dos R$ 270,7 bilhões depositados na poupança. Essa solução, na avaliação do governo, daria discurso contra a oposição: Lula diria que não mudou a regra da poupança para a imensa maioria. Na semana passada, um ministro disse à Folha que Lula decidiu não mudar a regra para "mais de 95%" dos poupadores".
Comento:
Muito me agrada uma proposta de aumento de tributo que se preocupa em tributar apenas que possui capacidade contributiva maior. Se realmente a tributação sobre a poupança recair sobre a camada mais rica da população, essa mudança só vem trazer benefícios para a sociedade, tendo em vista que irá gerar recursos para a satisfação de diversas obras de investimentos que estavam ameaçadas em razão da crise.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Briga no STF

Fico feliz quando esse tipo de coisa acontece. Nós do povo, na maioria das vezes, ficamos distantes dos processos decisórios e não sabemos bem o que se passa nas altas cortes. Entretanto, a mídia mais uma vez distorce o sentimento nacional e critica a postura do Ministro Joaquim Barbosa. Em todos os sítios e blogs que visitei, as críticas são dirigidas não a esse Ministro, mas o Presidente do STF, que não faz questão de esconder o seu elitismo e a sua despreocupação com os anseios do povo. Espero que seu mandato acabe logo e que outros assumam a presidência da Corte Suprema e possam desenvolver um trabalho mais humanitário e que não represente apenas os seus colegas do PSDB e DEM.
Abraços!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

África do Sul discute legalizar prostituição antes da Copa de 2010

15/04/2009 - 05h18
http://noticias.uol.com.br/bbc/2009/04/15/ult5022u1796.jhtm

"Uma proposta de lei que descriminaliza e regulariza a indústria do sexo na África do Sul deve chegar ao Parlamento no segundo semestre deste ano. Se adotada, a nova lei poderia entrar em vigor antes da Copa do Mundo, em junho do próximo ano.A ideia é polêmica já que o país é o líder no número de casos de Aids no mundo. Segundo dados de 2007, cerca de 5,7 milhões de sul-africanos, mais de 10% da população, tem o vírus HIV.A proposta de legalização do trabalho sexual está sendo analisada pela Comissão de Reformas Legislativas da África do Sul, que deve enviar um parecer ao Parlamento em junho ou julho deste ano.Na prática, a lei é uma forma de permitir o trabalho em determinadas áreas e fiscalizá-lo. Se a conclusão for favorável, o Parlamento vai iniciar as discussões para aprovação ou não de uma nova lei.Experiência alemãDesde 1994, quando a África do Sul realizou as primeiras eleições livres de sua história, a possibilidade de legalização da prostituição vem sendo discutida e apoiada por grupos de defesa dos direitos dos profissionais do sexo, como a organização não-governamental SWEAT.O diretor da ONG, Eric Harper, acredita que o fato de a próxima Copa do Mundo ser na África do Sul pode contribuir para a aprovação da lei.Ele cita a Alemanha, sede do Mundial de 2006, como exemplo. Lá, a indústria sexual é legalizada desde 2002, os profissionais têm direitos trabalhistas como férias e seguro-saúde e não houve um aumento significativo na prostituição durante o evento. Eric defende que o mesmo deva ser feito para 2010 por questões de segurança."As pessoas que vem pra cá, normalmente torcedores homens, vão usar os serviços dos profissionais do sexo. Quando o trabalho sexual não é regulamentado, você dá oportunidade de criminosos tirarem proveito desta situação e coloca em risco tanto os trabalhadores como os torcedores. Se você quiser prevenir desastres durante o evento, o melhor caminho é a legalização."Para Aneeke Meerkotter, advogada especialista em combate à violência contra a mulher, a regularização da indústria do sexo poderia até contribuir para combater a Aids na África do Sul."Nós queremos ter certeza de que todos aqui têm os mesmos direitos de acesso ao sistema de saúde", disse Aneeke Meerkotter à BBC Brasil."Se você é um profissional do sexo, e sua profissão não é regulamentada, é muito difícil ser atendido porque você sofre discriminação e é julgado por todos."No entanto, a proposta é rechaçada por grupos conservadores e também pela Organização Internacional de Migração (IOM em inglês), que teme que ela estimule o tráfico de pessoas de países vizinhos para a África do Sul durante a Copa do Mundo.Segundo a entidade, legalizar a prostituição facilitaria o trabalho dos traficantes principalmente porque a África do Sul, ao contrário da Alemanha, ainda não teria estrutura suficiente para se adequar à nova lei."Nós somos contra a legalização porque nem a polícia nem o Departamento de Migração têm condições de controlar esta situação. A África do Sul simplesmente não tem capacidade para isso", diz Bongiwe Mlatsha, que dirige o escritório da IOM na província de Kwazulu-Natal.Partidos políticosAté agora, nenhum dos principais partidos do país se posicionou claramente a favor da questão. A Aliança Democrática e o Partido da Liberdade Inkhata condenaram a legalização em outras oportunidades.O Congresso Nacional Africano, que hoje ocupa 70% das cadeiras do Parlamento, já se mostrou simpático à ideia, mas nunca colocou em prática uma reforma na constituição."Para o CNA, ainda é mais fácil apenas sustentar programas de assistência aos profissionais do sexo do que tentar legalizar a profissão. Se eles fizerem isso, podem perder o apoio dos eleitores mais conservadores", analisa Aneeke.Não há estatísticas precisas sobre a indústria sexual na África do Sul, mas um estudo feito no bairro de Hillbrown, um dos pontos de maior prostituição de Johanesburgo, revelou que lá trabalham entre 5 mil e 10 mil pessoas - 98% são negros, a grande maioria mulheres, e cerca de 5% são menores de idade."Não há trabalho para nós, a maioria tem filhos e essa é a forma que temos de nos sustentar. Não estamos prejudicando ninguém, só trabalhando como qualquer pessoa. A polícia se aproveita da gente, tira nosso dinheiro e ameaça nos levar para a cadeia se não dormirmos com eles", denuncia uma prostituta que não quis se identificar.Chandre Gould, autora do livro Vendendo sexo na Cidade do Cabo, acredita que a regulamentação é a forma de acabar com o medo dos profissionais do sexo."Se a indústria sexual for legalizada e descriminalizada, esses trabalhadores vão poder se manifestar e não ficarão tão vulneráveis aos abusos e extorsões que sofrem de policiais", defende a autora".

Comento:

Acho importante que o trabalhador seja protegido em qualquer circunstância. No entanto, é preciso que as discursões sejam conectadas com a realidade de cada país. Não necessariamente funciona na África do Sul e no Brasil a legalização que se deu na Alemanha. No entanto, é preciso que perdemos a hipocrisia de tratar essas pessoas que sobrevivem de um trabalho nada fácil como seres que merecem a marginalização. Pelo contrário, devemos incluí-los na proteção que é dada a todos os trabalhadores, tendo sempre o cuidado de, ao mesmo tempo, nao estimular a atividade, principalmente entre os mais jovens.

Obrigado aos que acompanham o blog e espero alguns comentários...

Abraços!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Monopólio dos Cartões de Crédito no Brasil

Um estudo recente revela uma nefasta realidade. Temos um monopólio da prestação de serviços de cartão de crédito no Brasil. O referido estudo aponta que 91% (noventa e um por cento) dos cartões pertencem a duas bandeiras, Visa e Mastercard. Todos sabemos dos juros exorbitantes que são pagos por quem não paga em dia e foi revelado também problemas em relação ao pagamento aos comerciantes em todo o Brasil.
Alguns números do mercado gigante:
"1. O estoque de cartões de crédito emitidos no Brasil passou de 39 milhões, em 2003, para 118 milhões, em 2008. Um salto de cerca de 200%;

2. No mesmo período, a quatidade de “cartões ativos” registrou crescimento de 190%, chegando a 66,6 milhões;

3. Duas únicas bandeiras –a Visa e a Mastercard— respondem, juntas, por 91% dos cartões ativos no país, incluindo os de crédito e os de débito.

4. No primeiro trimestre de 2002, foram efetuadas 195 milhões de transações com o uso de cartão. No último trimestre de 2007, houve 603 milhões de transações;

5. Entre 2002 e 2007, o número de transações feitas por meio do cartão Visa cresceu 220%. Com o Mastercard, 201%. Com as outras bandeiras, 183%
". (Blog do Josias de Souza)
Ainda segundo o blogueiro:
"Um dos problemas identificados pelo diagnóstico do BC é a taxa cobrada dos lojistas: 2,95% sobre o valor da venda. Essa é a média. Em alguns casos chega a 5%.

Outro problema: “Nas transações com cartão de crédito no Brasil, o prazo entre a data da compra e a data do crédito ao estabelecimento, é, em geral, de trinta dias”.

“No exterior”, diz o estudo, “o prazo praticado é de dois dias”. O texto anota: “Isso faz com que os emissores [dos cartões], não arquem com o custo do dinheiro no tempo...”

“...Pois os portadores [consumidores] pagam sua fatura, em média, 28 dias após a compra e o estabelecimento recebe 30 dias, em média, após a compra”.

Ainda de acordo com o estudo, a indústria de cartões de crédito opera sob um modelo excessivamente “verticalizado”. Algo que inibe a concorrência.

A “verticalização” atinge o seu grau máximo na atividade de “credenciamento” dos lojistas e no processamento das transações.

As duas principais “bandeiras” de cartões operam com um único “credenciador” –a Redecard, no caso dos cartões Mastercard; e a Visanet, para os cartões Visa
".
Para maiores informações:

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ainda o Oscar 2009

Assisti essa semana o filme "O leitor", onde Kate Winslet contracena com um ator desconhecido, mas muito bom, onde é desenvolvida uma história interessante e inteligente. Ainda não tive a oportunidade de assistir "Milk", mas certamente "Quem quer ser um milionário?" não merecia o Oscar de melhor filme. Pode-se afirmar que o Oscar é parcial no sentido de que apenas os filmes americanos ou filiados àquela linha de cinema podem ser vencedores. Mas dentro daqueles indicados ao Oscar, e que portanto preenchem tais requisitos, há outros melhores do que "Quem quer ser um milionário?". Pena que os cinemas de Maceió não prestam, com exceção do CINE SESI, e o filme "Milk" passou apenas uma semana em exposição. Hoje quis mais fazer um desabafo do que um comentário descente...
Abraços!

segunda-feira, 9 de março de 2009

Henfil


Se não houver frutos, valeu a beleza das flores; se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não houver folhas, valeu a intenção da semente.

sexta-feira, 6 de março de 2009

"Graças a Deus estou no rol dos excomungados"

Também queria ser excomungado da igreja católica. Ser excomungado representa a libertação de tudo aquilo que a Igreja tem de ruim. Não sou contra nenhuma religião, mas detesto todos os tipos de igreja e as suas tendências anti-democráticas e retrógradas que são, em grande parte, razão do nosso sub-desenvolvimento cultural.
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Essa frase do título foi pronunciada pela médica diretora do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), Fátima Maia, que dirige a equipe que realizou o aborto na menina de 9 (nove) anos que havia sido estuprada pelo padastro. Ela se diz feliz pelo que aconteceu e afirma que continuará fazendo o que deve ser feito. Sua coragem e a coragem dos médicos que realizaram o procedimento devem ser louvadas pela sociedade brasileira como exemplo a ser seguido.
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Os bispos e padres não tem o poder que possuiam antes, mais uma vez, graças a deus, porque este caso seria resolvido tempos atrás com a morte na fogueira. Mas, como nada mais podem fazer, excomungam aqueles que não seguem suas diretrizes, nada mais justo.
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Outra notícia, essa da globo.com ressalta que o médico Rivaldo Albuquerque, que participou do atendimento, já havia sido excomungado antes, por participar desse núcleo que assiste a mulheres sofre violência sexual. Parece-me que a Igreja Católica anda realmente muito preocupada com aqueles que fiscalizam e atendem os que sofrem violências sexuais, quando na verdade deveriam se preocupar mais com os que praticam tais violências, inclusive por membros de sua própria instituição.
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A questão é muito séria e não podemos ficar inertes como se o Estado ainda dependesse das deliberações de uma igreja. Quero deixar claro, mais uma vez, que não estou aqui ofendendo a crença de ninguém, mas questionando as decisões de uma instituição como outra qualquer.
As citações foram retiradas das páginas: http://noticias.uol.com.br/ultnot/agencia/2009/
03/06/ult4469u38390.jhtm
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quarta-feira, 4 de março de 2009

Collor vence Ideli e ganha comissão do Senado

E o senado ainda fala em moralização...
"O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) venceu nesta quarta-feira a queda-de-braço com a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) pela presidência da Comissão de Infraestrutura do Senado. Collor foi eleito com 13 votos contra dez recebidos por Ideli, numa disputa que dividiu aliados do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o grupo de Ideli.
Renan conseguiu emplacar Collor na comissão depois que o PMDB prometeu o cargo ao PTB durante a campanha do senador José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado. O líder do PMDB escalou aliados para integrar a comissão de última hora, com o objetivo de garantir votos para Collor. O líder peemedebista substituiu os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Valdir Raupp (PMDB-RO) por aliados considerados mais "fiéis" ao peemedebista, como Wellington Salgado e Almeida Lima (PMDB-SE).
A eleição de Collor quebra uma tradição firmada no Senado para a divisão das presidências das comissões permanentes. Os partidos têm como hábito ceder os comandos das comissões aos partidos que reúnem as maiores bancadas da Casa. Os maiores vão escolhendo as comissões que lhe interessam, cumprindo a regra da proporcionalidade.
O PTB reconheceu que não tem tamanho para emplacar o presidente da comissão --mas cobrou a oferta de aliados de Sarney que, em troca do apoio dos petebistas à candidatura do PMDB para a presidência do Senado, ofereceram o comando de uma das comissões permanentes da Casa.
"O PMDB assumiu um compromisso com os quais não pode abrir mão. O nosso regimento fala em proporcionalidade apenas para os membros da comissão, mas não para esta disputa. O PMDB não tem como abrir mão de um compromisso previamente assumido", disse Renan.
Polêmica
Inicialmente, os petebistas cobravam a presidência da CRE (Comissão de Relações Exteriores), que será presidida pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Diante da disposição dos tucanos em derrubar, no voto, a escolha de Collor para o cargo, o PTB mudou o foco e escolheu a Comissão de Infraestrutura.
A mudança irritou os petistas, que esperavam emplacar Ideli no cargo para lhe conceder visibilidade diante da possibilidade dela disputar o governo de Santa Catarina em 2010 --uma vez que a Comissão de Infraestrutura tem poderes para analisar a maioria dos projetos governistas para o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Mal-estar
A sessão que definiu a escolha de Collor foi marcada por bate-boca e troca de ofensas entre os aliados de Ideli e do petebista. Em seu discurso à comissão, Collor disse que tem o "maior respeito" por Ideli, a quem considera uma "senadora que congrega, reúne, cisca para dentro". As palavras de Collor provocaram um mal-estar entre os aliados de Ideli, que ficaram irritados com o fato do senador afirmar que a petista "cisca para dentro".
O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) cobrou uma retratação de Collor ao afirmar "ciscar" não faz parte do "histórico" de Ideli --numa referência indireta ao ato praticado por aves.
Collor disse que não teve a intenção de ofendê-la, mas decidiu retirar a expressão para minimizar o mal estar na comissão.
Mercadante bateu boca com o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), que ficou irritado com o fato do petista ter se dirigido a ele como "você" --e não "Vossa Excelência", como é praxe da Casa".

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

"Ditabrandas"

Não se pode exigir de nenhum jornal do mundo imparcialidade. Mas certas coisas têm limite. Uma amiga me mandou um e-mail relatando uma reportagem da Folha de São Paulo que fala sobre as reeleições infinitas de Cháves. A reportagem é totalmente ridícula ao afirmar expressamente que o regime instaurado no Brasil de 64 a 85 teria sido na verdade uma "ditabranda", e não uma ditadura. Esse editor só pode estar brincando com a memória dos brasileiros. Afirmar que não houve ditadura é o mesmo que afirmar que não houve holocausto. É tudo tão evidente que só uma pessoa mal intencionada pode afirmar isso. Ele deveria responder por algum tipo de crime pro afirmar uma besteira dessa magnitude. Ainda mais a Folha ofendeu publicamente dois professores que criticaram a reportagem acusando-os de cínicos e mentirosos. Estamos vivendo uma época perigosa. Discordar da direita cada vez mais poderosa pode voltar a gerar perseguição. Quem sabe um dia não me perseguiriam por este texto que agora escrevo... Bem, precisava deixar essa reflexão antes que curtamos o nosso carnaval alienante e maravilhoso.
Folha:
"Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso".
FÁBIO KONDER COMPARATO:
"O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana." *professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP)

Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Sobre demissões e crises

- Fico imaginando como é fácil manipular as opiniões das pessoas. Ouvi um comentário interessante hoje no programa Manhattan Connection. Se falou que, do mesmo jeito que o Bush se aproveitou do 11 de setembro para redimensionar a política com o Oriente Médio, o Obama estaria aproveitando a crise para redimensionar o tamanho do Estado. Concordo que isto esteja acontecendo, mas não condeno Obama por isso, muito pelo contrário. Penso que é uma opção liberal e mesquinha exigir um Estado mínimo com tanta injustiça por lá. Enfim, gostaria de tomar esse argumento para demonstrar que no Brasil se tem usado a crise mundial como desculpa para uma série de ações impensadas.
- Seria leviano afirmar que não há crise. Mas é hipocrisia dizer, por exemplo, que os bancos brasileiros estão passando por dificuldades. O spread bancário, que é a diferença entre os juros que o banco cobra quando retira o dinheiro dos particulares e o quanto eles retornam para a população, em nosso país, é um dos mais altos do mundo. E os bancos, todos sabemos, vêm lucrando há vários anos devido a isso e ao crescimento econômico do mundo. Chegou a hora em que o Estado e a população brasileira devem cobrar dessas empresas bilionárias alguma responsabilidade social. É preciso que o Estado obrigue essas instituições a fornecer crédito barato para que a população consuma. É preciso que haja também mais cautela do Estado antes de fornecer grandes benefícios fiscais para empresas sólidas que apenas diminuiram seus lucros. Estão usando a crise mundial para defender a diminuição dos direitos trabalhistas, como se eles fossem responsáveis por isso, bem como outras medidas que considero maléficas para a nossa sociedade.
- É preciso ao menos que as pessoas tenham mais senso crítico antes de defender o que quer que seja. Quase nunca, para não ser descuidado, a diminuição de direitos resultou em avanço para a sociedade. Muito pelo contrário. Diminuição de direitos geralmente levam a conflitos que surgirão num futuro não muito distante, isso porque ninguém deve aceitar passivamente a diminuição de sua qualidade de vida em face ao lucro desmedido dos outros.
- É o que penso. Aguardo as críticas.
Abraços a todos!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Indicados ao Oscar

Melhor filme
O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk - A Voz da Igualdade
O Leitor
Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)
.
Melhor atriz
Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
Angelina Jolie (A Troca)
Melissa Leo (Frozen River)
Meryl Streep (Dúvida)
Kate Winslet (O Leitor)
.
Melhor ator
Richard Jenkis (The Visitor)
Frank Langella (Frost/Nixon)
Sean Penn (Milk - A Voz da Igualdade)
Brad Pitt (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Mickey Rourke (O Lutador)
.
Melhor atriz coadjuvante
Amy Adams (Dúvida)
Penelope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
Viola Davis (Dúvida)
Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Marisa Tomei (O Lutador)
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Melhor ator coadjuvante
Robert Downey Jr. (Trovão Tropical)
Philip Seymour Hoffman (Dúvida)
Heath Ledger (Batman - O Cavaleiro das Trevas)
Josh Brolin (Milk - A Voz da Igualdade)
Michael Shannon (Foi Apenas um Sonho)
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Melhor diretor
Danny Boyle (Quem Quer Ser um Milionário? - Slumdog Millionaire)
Stephen Daldry (O Leitor)
David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button)
Ron Howard (Frost/Nixon)
Gus Van Sant (Milk - A Voz da Igualdade)

domingo, 18 de janeiro de 2009

"Nottub mimajneb ed osac osoiruc o"



Saí do cinema nesse sábado absolutamente maravilhado com o filme de David Fincher: “O Curioso Caso de Benjamim Button”. Fui pesquisar na internet o diretor do filme, pois não me lembrava de ter assistido outro filme dele. Surpreendi-me ao ver que ele, na verdade, tinha feito alguns filmes que eu gosto bastante. Entre eles “Clube da Luta” e “Se7en”. Ele conta a história de um homem que nasce com o corpo de um velho e que a medida que o tempo passa vai ficando cada vez mais jovem. É um filme fantasioso que mostra como seria a realidade de uma pessoa que possui critérios temporais diversos dos demais. O filme é realmente muito bom. Mas me identifiquei pessoalmente com a forma como a história é contada, bem como as várias situações engraçadas que se desenrolam durante o filme. Certas cenas me lembraram “Forrest Gump”, referência que percebi posteriormente em alguns sites e blogs. A película me encantou também pela beleza de vários personagens, em especial o representado por Brad Pitt, que está muito bem, e o da Tilda Swinton, que merecia um Oscar de Atriz Coadjuvante. Para mim, é um dos favoritos ao prémio da academia. Fiquei emocionado verdadeiramente pela bela história trágica de amor contada por Fincher.